Entrevista com o Dr. Marcos Höher, integrante da equipe do Centro de Reproduçao Humana Nilo Frantz , sobre as características do ciclo menstrual após ciclos de fertilização in vitro (FIV) e ou transferência de embriões congelados (TEC).
Dr. Marcos Höher: Graduado em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Residência em Ginecologia e Obstetrícia pela Santa Casa de Porto Alegre (UFCSPA); Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO; Ultrassonografista na área de Ginecologia e Obstetrícia pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR);Pós–graduação em Gestão de Serviços da Saúde pelo Instituto de Administração Hospitalar e Ciências da Saúde (IACHS/PUCRS); Fellow em Medicina Fetal pela Universidade de Autônoma de Barcelona (Instituto Universitário Dexeus); Especialização em Reprodução Humana pela Red Latinoamericana de Reproducción Asistida (REDLARA) e pelas Universidades de Paris V e Paris VI (CRM-RS: 18876). Contato: www.nilofrantz.com.br
O que pode acontecer com o ciclo menstrual após um ciclo de FIV ou TEC que não resultaram em gravidez? Ciclos de fertilização in vitro que infelizmente não resultam em gravidez são sucedidos pela ocorrência do fluxo menstrual. Apesar da menstruação ser um fenômeno fisiológico que marca o fim de um ciclo e o início de outro, verifica-se que o aparelho reprodutivo ainda não retornou por completo ao status pré-tratamento. Os ovários habitualmente se encontram ainda aumentados de volume e organismo feminino está retomando a sua anatomia e o seu funcionamento. Esta involução gradual costuma levar vários dias ou até mesmo algumas semanas. Já nos ciclos de transferência de embriões que se encontravam criopreservados o retorno ao funcionamento normal se dá de forma quase imediata. O ideal após uma tentativa que não resultou na desejada gestação é que seja feita uma investigação para explicar ou tentar identificar a causa do insucesso. Neste momento, caso, ainda não realizados, alguns exames podem ser utilizados nesta avaliação. Dentre estes, alguns dos mais solicitados são a histeroscopia, exame que verifica como está o interior da cavidade uterina onde são colocados os embriões e a parte imunológica da paciente.
Após um beta negativo, o que acontece logo a seguir? A mulher já menstrua? A progesterona (Utrogestan®, Crinone®, Evocanil®, dentre outros) é imediatamente interrompida? O teste de gravidez negativo, quando realizado na data indicada pelo médico e em um laboratório de boa qualidade, permite a suspensão dos medicamentos até então utilizados, sendo um deles a progesterona de uso vaginal. O sangramento menstrual ocorre, em média, 2 a 10 dias após a interrupção deste hormônio.
Neste mesmo ciclo ovula-se normalmente ou pode acontecer de não ovular? Assim como ocorre após a suspensão da pílula anticoncepcional, a retomada dos ciclos menstruais ovulatórios regulares após os ciclos de fertilização in vitro acontece de uma forma bem variável e pouco previsível. Algumas mulheres rapidamente tem sua produção hormonal restabelecida, enquanto outras vão necessitar de mais tempo para retomarem a sua plena capacidade ovulatória.
E no mês seguinte, a menstruação poderá atrasar? Os hormônios poderão ficar "bagunçados"? No segundo mês (ou ciclo) após uma fertilização in vitro a maioria das mulheres já recuperou a sua produção hormonal. A duração do tratamento corresponde a 1(um) ciclo e no seguinte é comum haver alguma irregularidade ou disfunção. No entanto, no ciclo subseqüente tudo já deve estar voltando ao normal.
É comum a formação de cistos após o uso de medicamentos que estimulam os ovários durante a FIV / TEC ou isso é mito? A formação de cistos pelo ovário é extremamente freqüente entre a menarca (primeira menstruação) e a menopausa (última menstruação). O ovário, por natureza, é um órgão em constante atividade e mutação. O folículo ovariano, cavidade líquida que alberga o óvulo, nada mais é do que um pequeno balão que cresce e, em um determinado momento, rompe liberando o óvulo, fenômeno este denominado de ovulação. A não ruptura do folículo ovariano acarreta na formação de um dos tipos de cistos mais comuns e inofensivos de cistos, o cisto folicular. O uso de indutores da ovulação via oral, como é o caso do citrato de clomifeno está relacionado a uma maior ocorrência de cistos. Já no ciclo de FIV o que se verifica é o crescimento intencional de múltiplos folículos ovarianos. Após a punção para coleta dos óvulos alguns destes folículos puncionados se enchem novamentente de líquido (chamado de transudato) ou de sangue formando múltiplas pequenas cavidades císticas. Trata-se de algo esperado e com regressão completa transcorridos alguns dias ou semanas. Na ocorrência da gestação é observada uma reabsorção mais lentas destes "cistos" e uma persistência dos mesmos até a completa reabsorção por um período mais prolongado.

Nenhum comentário:
Postar um comentário